Educação, Harvard e o BRASIL

Como jogador de futebol que é contratado por time da primeira divisão ou surfista que ganha patrocínio para passar um ano surfando as melhores ondas do mundo é como você se sente quando recebe a carta de aceitação de Harvard. É um sonho que se realiza possibilitando assim sonhos ainda maiores. Harvard não pode definir você mas é uma grande ajuda em construir quem você é.  Aqui refinei meu entendimento sobre como é possível aliar a elite do conhecimento com o trabalho de campo necessário para avançar a prática de um tema. Harvard inclusive me deu a oportunidade de conhecer mais sobre o meu próprio país, mais especificamente, mais sobre os cidadãos e cidadãs das Favelas do Rio de Janeiro, onde passei os meses de Julho e Agosto realizando pesquisa sobre Educação e Segurança Pública com patrocínio integral da Universidade.

Invés de salas de aula aqui temos ágoras gregas, semi-círculos onde nossos professores apresentam aquilo que acreditam e onde nós somos estimulados a desenvolver e questionar aquilo que nos é apresentado. Somos provocados a construir numa sociedade do conhecimento onde a cultura é romper com o absolutismo da razão individual por meio das Ciências e das Artes. Mais do que seus 49 prêmios Nobel e do que seus 25+ bilhões de patrimônio o maior recurso deste lugar é a combinação de Talento e Diversidade com a arquitetura institucional que encontramos. Matrizes do pensamento tão distintas que convergem por meio do avanço da razão e da prática.

O capital social de Harvard vai muito além das fronteiras de Cambridge, Massachusetts. A cooperação na Pesquisa e Desenvolvimento daquilo que nos move continua pela vida inteira com um acesso que eleva exponencialmente nossas capacidades e recursos.  Para nós Brasileiros, especialmente, é fundamental entender como questão de cidadania que o conhecimento a que estamos tendo acesso tem de ser socializado em nossa terra.

Nosso país, felizmente o mais miscegenado do mundo, esbanja um vigor híbrido resultante de nossa história. A criatividade e o talento resultantes dessa combinação de etnias e culturas nos distingue como um povo único. Entretanto a valorização do conhecimento e por conseguinte a memória institucional do nosso povo não encontra plataforma sólida para decolar. Nosso sistema educacional falha em garantir as devidas oportunidades e nosso capital humano é visto como investimento de segundo plano pelos nossos políticos.

Pela nossa emancipação cívica como nação e pela necessidade de gerar renda e crescer na competição global é necessário que líderes de vários segmentos sociais se unam em prol dessa causa. Que venham os líderes comunitários, de MV Bill à José Júnior, os empresários, de Jorge Paulo Lemann à Antônio Ermínio de Moraes, os cientistas, de Miguel Nicolelis à Sidarta Ribeiro, os jornalistas, de Gilberto Dimenstein à Caco Barcellos, os desportistas, de Flávio Canto à Leonardo e os verdadeiros donos do Brasil, nós cidadãos, cobrar dos nossos agentes e servidores que elegemos, a classe Política.  A Reforma Educacional que precisamos é acima de tudo um Ato Político. Que os líderes que citei e muitos outros façam do segundo-turno de nossa eleição presidencial um processo de prestação de contas dos candidatos restantes sobre o que pensam e o que pretendem fazer para desenvolver o recurso mais importante do nosso país, nós Brasileiros.

Pedro Henrique H.F.d.C.

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4 Respostas para “Educação, Harvard e o BRASIL

  1. Gostei do texto: ele demonstra como uma percepção circunstancial diferente da nossa agenda cidadã, nacional, é importante para ampliar o leque crítico que recai até mesmo sobre como rotineiramente lidamos com nossa própria cultura. Pode parecer um pouco confuso esse comentário que fiz, mas falando alegoricamente, vejo que ele demonstra o reflexo (enquanto país/povo/nação), através dos espelho forjado por outra cultura — isso é importante e salutar por vários aspectos; decorre porém, daí, uma questão: o que é visto a partir do programa que vcoê descreveu, é o real, ou deriva de uma percepção de como somos por aí vistos?

  2. Feliz pela sua experiência e certa de que maiores conquistas virão. Paz e Sucesso!

  3. Sua missão é colocar em prática o seu conhecimento em prol de uma sociedade mais justa, igualitária e desenvolvida. Sei que tem muito potencial e, com certeza, ainda vai muito longe.

  4. Texto provocativo. Acredito piamente no construir, “desenvolvendo e questionando aquilo que nos é apresentado”. Também defendo que “o conhecimento a que estamos tendo acesso tem de ser socializado em nossa terra”. Parabéns e obrigada por compartilhar suas idéias. Abs, Rosi

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