Seminário Anual do Banco Mundial com o FMI (Parte I- Resumo da viagem)

Acabo de chegar de Washington D.C. e o que posso dizer é que a viagem foi acima das minhas expectativas. Para quem não sabe, o seminário anual do Banco Mundial com o FMI acontece por volta do começo de outubro e tem por objetivo discutir temas e diretrizes da economia. Cada ano são enfatizados diferentes tópicos. Agora em 2010, por exemplo, os principais temas tratados foram China, Países Emergentes no geral, Pós-crise e reforma estrutural do Banco Mundial e do FMI. Tentarei dar uma idéia geral do que foi discutido e, após isso, postarei uma entrevista de um jovem brasileiro, Sidney Nakahodo, que trabalha no Banco Mundial na área de crédito de carbono e que contou um pouco de como foi a sua trajetória até lá.

CHINA

É previsto pelo FMI que até 2030 a China se torne a 1ª economia mundial. Dada a relevância desse país no cenário econômico que fazemos parte e da recente mudança na taxa de câmbio do Yuan que teoricamente deixou de ser fixa (porém, continua extremamente restrita e não competitiva), a China virou tema de muitos dos debates e também é vítima de muita pressão para que essa mudança “gradual” no valor do Yuan não seja tão devagar porque pode estar afetando a recuperação da economia mundial.

Só para exemplificar a importância do país e o poder que este está ganhando relativamente aos outros, quase em todos os seminários que participei tinha algum representante chinês no palco da discussão (normalmente era algum membro do BACEN chinês).

PÓS-CRISE

A pergunta crucial do pós-crise é: estimular ou consolidar a economia? Como se recuperar dessa crise econômica? A resposta é: depende se você tem a opção de aplicar uma política fiscal expansionista no seu país ou não. No caso da Grécia ela não tinha opção: de acordo com o Ministro das Finanças na Grécia, o país não tinha mais mercado nem mais demanda doméstica, logo, não havia mais caixa nem como sustentar esse estímulo. Sendo assim, ela teve que optar pela consolidação da economia, organizando e criando políticas fiscais sustentáveis a fim de restabelecer a confiança da população. No caso do país ter a opção de estimular a economia, como foi o caso dos EUA, essa tem que ser a opção escolhida no curto prazo a fim de assegurar que a economia não trave. No entanto, vale para todos os países que no médio prazo apliquem a consolidação para se ter uma situação fiscal mais sustentável e garantir o desempenho futuro das suas economias.

Somado a isso, foi destacado a necessidade da cooperação entre os países. Com o mundo globalizado no nível que está, soluções domésticas não serão suficientes para a recuperação global. É claro que os países não possuem os mesmos problemas, mas, se todos cooperarem o resultado será muito melhor e mais eficiente.

Um problema que foi levantado foi: será que o Yuan ainda tão depreciado está atrasando a recuperação mundial? A resposta é sim, em partes. No entanto, esse tópico não é tão relevante assim. O Yuan está sim muito depreciado como já tinha escrito acima no tópico “CHINA”, só que muitos outros aspectos interferem na recuperação da crise. O Yuan não é o mais relevante.

REFORMA ESTRUTURAL NO BANCO MUNDIAL E NO FMI E PAÍSES EMERGENTES

Os países desenvolvidos estão querendo assumir um papel maior no Banco Mundial e no FMI, em contraste com a estrutura anacrônica que vigora hoje. Desde 1944, a estrutura é a mesma. Após a crise de 2008 foi percebido que o mundo econômico estaria tomando uma outra forma: novas potências estão emergindo (G20 mais especificamente). Nada mais justo do que estas reivindicarem seu espaço dentro dos maiores organismos multilaterais econômicos que existem. Desde o primeiro dia dos seminários esse ano, o presidente do Banco Mundial e o Secretário-geral do FMI já falavam em mudanças na estrutura e na importância desta dada a situação econômica e as previsões futuras. Essas mudanças já começaram a ocorrer. A primeira delas foi que no próprio final de semana do seminário, a África ganhou mais um assento no comitê dos executive board do Banco Mundial. Com isso, pela primeira vez na história do Banco, temos a maioria desses assentos de membros de países em desenvolvimento.

Bom, pessoal, resolvi dar somente umas pinceladas do que escutei nos seminários, mas acho que já é possível de se ter uma noção do que lá é discutido. Semana que vem postarei a entrevista do Sidney!

Até mais,

Patrícia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s