Quer trabalhar num organismo multilateral? Dicas para chegar lá, com Sidney Nakahodo, analista do Banco Mundial

Segue abaixo a entrevista que fiz com Sidney Nakahodo, analista do Banco Mundial para negócios de carbono, que conheci em minha viagem a Washington.

 

P. Sidney, o que você fez de faculdade?
S. Sou formado em Engenharia na Poli – USP.

P. Nossa, mas não tem nada a ver com a área que você trabalha hoje. Como você mudou tanto?
S. Depois de formado, percebi que gostava muito de economia internacional e fui trabalhar como pesquisador no ÍCONE (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais) durante 1 ano. Lá, fui parte da equipe que escreveu o capítulo sobre comércio internacional do livro “O Brasil Globalizado”. Após isso, fui fazer meu mestrado mais focado em política econômica internacional com comércio na Universidade de Columbia.

P. E como, a partir daí, você foi parar nos organismos multilaterais?
S. Durante o meu mestrado, fiz um estágio na ONU, o que já me abriu muitas portas. Após isso, me candidatei para trabalhar em um “Think Tank” (centro de pesquisa) na Alemanha, o KIEL Institute for the World Economy, e fiquei lá por um ano. Muito por causa dos relacionamentos que criei na ONU, fui lembrado e chamado para trabalhar em um projeto como consultor no Banco Mundial, que duraria mais um ano. Quando já estava no Banco Mundial me postulei para uma posição na área de carbono, é onde estou há três anos.

P. Qual foi o seu diferencial para essa posição?  Você já conhecia algo sobre créditos de carbono?
S. Na verdade, eu não sabia nada sobre créditos de carbono. Nada! Mas, fundamentalmente, três coisas me ajudaram: 1)depois de 1 ano no Banco trabalhando como consultor eu já entendia toda a burocracia (que é muita); 2)a minha formação técnica de engenheiro foi um diferencial na análise dos problemas;3)falo muitas línguas, e isso é fundamental (italiano, inglês, português, francês e espanhol).

P. Sidney, por que trabalhar em um organismo multilateral?
S. Você é exposto a iniciativas em nível global, tendo diversos projetos em lugares totalmente distantes. Ademais, você tem contato com gente de todo o mundo o tempo inteiro, é uma diversidade cultural enorme…

P. Que mensagem você gostaria de deixar às pessoas que pensam em trabalhar nos multilaterais, assim como você?
S. Que as oportunidades acontecessem por meio de contatos pessoais. As recomendações são muito importantes. Pelos sites dos multilaterais você pode se candidatar às vagas,mas é praticamente impossível! Aí que se vê a importância do networking (vale ressaltar que ele te dá acesso à oportunidades, mas não as garante). Outra coisa muito importante para dizer é que a diferença entre um bom profissional e um de destaque é que um bom profissional responde bem às demandas do trabalho. Mas, um destaque GERA demanda por trabalho. Em suma, fazer ser lembrado e ter proatividade.

Patrícia Magalhães

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