Vamos fazer nosso próprio caminho

Nos últimos 16 anos o Brasil teve a sorte de contar com o maior estadista e com o maior líder de sua história. Antes de qualquer julgamento sobre a afirmação acima peço ao leitor que compreenda que ao dizer “maior” faço referência à “aquele que causou mais impacto” e que tanto os governos FHC e Lula tiveram erros e acertos. Entretanto os dois tiveram mais acertos do que erros. Tivemos sorte também na ordem em que as eleiçoes dos dois citados presidentes ocorreram porque, por mais que o PT e o próprio Lula esbravejem que tiveram uma herança maldita, a verdade é exatamente o contrário.

FHC tem como seu maior mérito ter solidificado as instituições democráticas no Brasil. O redirecionamento institucional que ocorreu com suas medidas na áreas Econômica, Fiscal, Monetária e Gerencial sem dúvida alguma renderam dividendos para o Brasil, e para Lula. Até mesmo as “bolsas assistenciais”saíram de fagulha (idéia piloto no DF) para escala (expansão nacional) no governo Cardoso. Três crises internacionais, a clássica falta de compreensão Tucana em capitalizar oportunidades políticas e defender seu legado histórico o levaram a uma situação injusta no imaginário popular.

Lula, um negociador treinado nas duras batalhas sindicais durante os derradeiros anos da ditadura, alinhou seu discurso com os desejos da população brasileira e capitalizou nas suas virtudes e fraquezas. Com a economia mundial vivendo uma maré de rosas de 2003 até 2009 ele teve o mérito de manter as medidas de FHC na área econômica e avançar a agenda social. Suas duas grandes sacadas, aumentar o salário mínimo comparativamente mais do que o fez Cardoso e fazer funcionar, depois de muitos erros, o Bolsa Família.    Graças a FHC, Lula pôde fazer o que instintivamente acreditava correto (salário mínimo e bolsa família) e arriscar mais do que se tivesse um quadro similar aquele que FHC encontrou.

Comparativamente, FHC realizou mudanças mais estruturantes mas imperceptíveis (em termos de associação do autor à obra) para a grande maioria dos brasileiros. Enquanto Lula teve o pragmatismo de manter o que aprendeu que funcionava na marra (o Real – política econômica do governo Cardoso) após perder duas eleições, e avançar em escala os benefícios gerados por muitas das medidas de seu antecessor. Tais benefícios, inclusive, permitiram a Lula seus principais feitos: diminuir significantemente o problema de segurança alimentar no Brasil e realizar a distribuiçao de renda que ocorreu devido ao aumento do salário mínimo. Um gênio político (dentro do jogo clientelista que é a política no Brasil), Lula enquadrou seus feitos numa narrativa de que ele era o responsável por todas as benesses em que na verdade seu mérito foi expândi-las devido as sólidas fundações que FHC construiu.

Um fator importante que foi construído igualmente pelos dois foi o posicionamento geopolítico do Brasil mediante sua nova condição de importante ator econômico global. FHC se fez respeitar com sua competência cognitiva e liderança conciliadora. Lula fechou a primeira parte de um ciclo de transição ao aplicar além das expectativas sua rara capacidade negociadora e seu inegável carisma no propósito de fazer o Brasil ser tratado de igual para igual pelos países desenvolvidos ao liderar coalizões dos países em desenvolvimento e pobres.  Erros e acertos dos dois lados, devemos agradecê-los. Agora temos nossa primeira mulher presidente, um partido incumbente e várias dúvidas sobre que rumos serão tomados e que influência será exercida pelo ex-presidente. Teremos mais do aclamado “pragmatismo” ou mais do “Pai dos Pobres” e “Mãe do PAC”.

Uma coisa é certa: felizmente a grande maioria de nós brasileiros já temos mãe e pai, o que a grande maioria de nós não tem é Educação e Segurança, as duas principais lacunas deixadas pelos dois titãs que passaram pelo planalto nos últimos 16 anos.  Acredito que um governo progressista, como se diz o PT, deveria almejar tornar emancipados cada um dos cidadãos do nosso país, e para isso acontecer precisamos aprender a ler, escrever e operar matemática ao mesmo tempo que somos livres para tomar conta de nossas ruas e comunidades, ao invés de ficarmos presos em nossas casas devido ao medo da violência. Queremos escrever o nosso caminho e é isso que temos de cobrar de nossa nova Presidente. Boa sorte Dilma e saiba que você a partir de agora é a primeira funcionária do Brasil.

Pedro Henrique

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Uma resposta para “Vamos fazer nosso próprio caminho

  1. Muito bom post, PH, concordo principalmente com o papel que Lula teve em estabelecer o Brasil como forca autonoma no cenario da politica internacional. Isso e motivo de orgulho para todos nos brasileiros.

    abs!

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