Ensino no Brasil e nos EUA – Algumas Diferenças

Prezados leitores,

O Nikolas já falou aqui no site sobre o conceito de “Majors” and “Minors” nas universidades americanas. Esta é apenas uma das diferenças nos sistemas de ensino dos EUA e do Brasil e tenho observado outras distinções interessantes que, na minha opinião, estão profundamente relacionadas com o grau de desenvolvimento dos dois países. Aqui vai alguns exemplos:

a)     Saber um pouco de tudo: o ensino americano, tanto no High School ou na Universidade, é menos técnico que no Brasil. Aqui o aluno não tem que aprender Matemática, Biologia ou Geografia em detalhe. A profundidade de conteúdo é menor e o foco está no aluno ter a base em vários temas e ter um aprendizado mais diverso. As atividades extra-curriculares (esportes, teatro, música) são tão importante quanto aprender as leis da física.

Na universidade, a mesma situação. A quantidade de matérias e até a extensão do curso (4 anos para a maioria) é menor que no Brasil. Além disso, existe uma liberdade muito grande de matérias que o aluno pode fazer. Por exemplo, eu conheci um aluno brasileiro que cursa Economia na Universidade de Chicago e fez uma matéria sobre teoria da Música entre várias outras que não tem nada a ver com economia em si.

Tive contato com americanos em trabalhos na faculdade e fiquei impressionado como às vezes eles não sabem conceitos básicos de matemática que aprendi no Ensino Médio, mas como todos fizeram atividades no colégio e na faculdade que eu nunca imaginei realizar no Brasil (um chegou a abrir uma empresa através de um programa de empreendedorismo ainda no colégio).

b)Competitividade: a cultura americana valoriza bastante a competitividade e isso se reflete também no ensino. As maioria das notas são dadas por curvas forçadas e o valor depende da sua posição em relação a média da turma. Não importa ter acertado 90% da prova. Se a maioria da classe acertou mais que você, seu conceito (de “A” a “D”, normalmente) será ruim. E sempre ficará claro quem é o melhor e quem é o pior. Bem diferente do Brasil, onde colégios e professores evitam comparações entre alunos para não tirar a confiança dos que não tem um desempenho tão bom.

c) Aprender a falar:  Isso algumas pessoas até já sabem antes de vir estudar nos EUA, mas às vezes é desafiador para o estrangeiro. A participação na aula, através de comentários e perguntas, é algo obrigatório. Varia de escola para escola, mas os comentários do estudante normalmente é parte relevante da nota do mesmo. Na escola de negócios de Harvard (HBS), isso representa metade da nota em todas as matérias. Isso força os alunos a se prepararem para as aulas e aprender a demonstrar seu ponto de vista de forma estruturada. Bem diferente do Brasil onde normalmente o professor fala durante toda a aula e o aluno normalmente tem uma postura passiva.

De uma forma geral, o que vejo aqui nos EUA é a busca por um ensino mais abrangente e menos técnico. No Brasil o filtro estreito entre o Ensino Médio e a Universidade faz com que os processos de vestibular das boas faculdades cobrem um carga de conteúdo extensa e isso reflete no ensino como um todo.

As diferenças aqui retratadas, entre outras várias, reflete um país em estado muito mais maduro que o Brasil em termos de metodologia de ensino e infra-estrutura educacional. O Brasil avançou bastante nos últimos 15 anos, mas muito ainda precisa ser feito (e investido) para atingir um estágio de ensino público abrangente e de qualidade, especialmente no ensino básico. Mas, principalmente, o Brasil como um todo (principalmente os políticos) tem que entender a importância que isso tem no desenvolvimento do país.

Um abraço,

 Vitor Alves

PS: Para quem gosta de economia e política, aqui vai a dica do blog do Paul Krugman (http://krugman.blogs.nytimes.com), ganhador do Prêmio Nobel de 2008, professor de economia de Princeton e colunista do NY Times. Os temas são interessantes e a linguagem é bem acessível em se tratando de um Prêmio Nobel.

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Uma resposta para “Ensino no Brasil e nos EUA – Algumas Diferenças

  1. A educação norte americana valoriza o emprendedorismo de seus alunos e isso é claramente refletida na economia do país e em como os americanos são experientes no que fazem, porque a cobrança começa ainda na escola. Talvez esse tipo de postu…ra deveria ser tomada nas escolas brasileiras; se a escola preparasse melhor os alunos, os programas de estágio e menores aprendizes seriam o caminho para torná-los empreendedores e não para fazê-los servidores de grandes empresas, cujo a maioria dos donos possuem justamente essa visão americana e por isso saíram na frente. Adorei o Link.

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