A Subvalorização do Ensino

                Poucas áreas tecnológicas sofrem uma subvalorização do ensino tão grande quanto a engenharia civil. É lamentável constatar que uma larga parcela da população não reconhece a importância de um engenheiro civil em suas construções. Por ser uma área de atuação secular para o homem, essa engenharia é inúmeras vezes considerada como um conjunto de conhecimentos empíricos. Nada mais.

                 Este equívoco produz, inevitavelmente, dois resultados: uma construção inadequada aos esforços que lhe serão exigidos ou uma construção superdimensionada. Do primeiro caso resultam as fissuras, as infiltrações, a umidade e mofo internos, o mau funcionamento das redes elétrica e hidráulica e até, em último caso, a ruptura total ou parcial da estrutura. Mesmo não atingindo esta última instância, a obra passa a apresentar problemas que atrapalham seu uso. Alguns desses problemas podem interferir, inclusive, na saúde de seus usuários, gerando um gasto com remédios e consultas médicas que poderiam ser evitados. É o caso, por exemplo, do mofo causado pela umidade interna. Existem técnicas que protegem as moradias deste inimigo das vias aéreas e que podem, portanto, melhorar a qualidade de vida de seus usuários.

                O superdimensionamento, por outro lado, é um problema mais sutil. Seu aspecto negativo não oferece risco imediato à vida dos moradores e parece ser menos importante. Parece, mas não é. Ao superdimensionar uma estrutura, usa-se mais material do que seria necessário, resultando não só em uma obra bem mais cara, mas também na má utilização dos recursos naturais. Analisando-se sob o prisma da crescente consciência ecológica mundial, o desperdício das riquezas da natureza é inaceitável. A ignorância não pode mais ser alegada. Todos sabemos da escassez destes recursos e da urgência em se diminuir nossos consumos habituais. Além disso, como resultado mais imediato, este dimensionamento exagerado resulta, ainda, em maior gasto mensal de energia elétrica e de água, que pesam nas contas do usuário.

                Modernamente, somou-se um agravante à subvalorização do estudo: os programas computacionais modernos. Nestas ferramentas, os típicos cálculos da engenharia são realizados com velocidades incríveis. Contudo, a interface gráfica simplista, nas quais basta digitar os dados de entrada, pode iludir alguns usuários sem conhecimentos suficientes. O problema é que, ao longo do cálculo, várias considerações, seja de simplificação, seja de condições de contorno são feitas e, na maioria dos casos, o usuário não as conhece e assume os resultados como válidos para todas as diferentes obras. Dessa forma, recai-se outra vez nos problemas já citados.

                É preciso começar a mudar essa noção de que apenas o mestre de obras, ou um bom pedreiro bastam. É preciso reconhecer que, embora possuam um sólido conhecimento empírico, eles não podem avaliar os diferentes tipos de solo para dimensionar a profundidade de uma sapata, não podem garantir a estabilidade de uma estrutura em balanço e, principalmente, não garantirão ao usuário a máxima eficiência, com menores custos na construção e no uso da obra. É preciso valorizar mais os anos nos bancos escolares, as noites em claro, as provas realizadas; o estudo em si.

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