O futuro

Olá pessoal. Estava escrevendo um texto sobre a preparação para a ANPEC, que de certa maneira também serviria para outros exames, mas conversando com amigos surgiu o assunto: futuro. Achei que seria mais interessante.

É comum perguntarem em entrevistas de emprego, para bolsas ou mesmo em situações informais (mas estas não causam tanto incômodo) onde queremos estar daqui a 5 anos. Ou mesmo o que queremos ser daqui a 10. Por muito tempo respondi algo genérico como quero estar em alguma empresa interessante, em uma posição de destaque daqui a 10 anos. Casada, quem sabe. Mas no fundo ficava imaginando do imenso número de fatores diferentes dos quais depende minha vida nos próximos 5 ou 10 anos. Queria fazer mestrado, mas nem sabia ainda direito o porquê. Pensava em trabalhar no BID, mas e se aparecesse outra oportunidade? Gostaria de morar em São Paulo, mas e se minha empresa me mandasse para fora? E se eu ganhasse na Mega Sena? E se eu descobrisse que eu gosto mesmo é de gastronomia e mudasse tudo o que eu fiz até hoje? Qual a utilidade de eu traçar esse plano se muito provavelmente ele não vai acontecer?

Realmente tudo isso pode mudar. Algumas mudanças dependem de nós, outras nem tanto. Umas podem acontecer com probabilidade maior, outras, menor. Mas ainda assim temos alguma influência sobre o futuro. E se pensarmos bem, se planejarmos um pouco, uma influência bem grande! E é por isso que acho que vale a pena gastar algum tempo pensando no que queremos fazer.

Discordo um pouco do texto “Wear Sunscreen”, de origem um pouco controversa, que diz “Don’t worry about the future; or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum.” (Mary Schmich, Chicago Tribune, aparentemente). Ou numa tradução livre, “Não se preocupe com o futuro, ou se preocupe, sabendo que se preocupar é quase tão eficiente quanto tentar resolver uma equação de álgebra (apenas) mascando chicletes. Realmente não acho que o futuro deva ser um motivo de apreensão, mas devemos nos preocupar com ele. Ao estabelecermos uma meta, por mais que ela possa ser mudada no decorrer do percurso, tornamos mais claras as coisas que podemos fazer para aumentar a probabilidade de ela ocorrer. Seja procurar um curso, freqüentar palestras, estabelecer contatos, seja se esforçar mais para tirar uma nota boa, e não apenas “passar de ano”. Concordo que esse deveria ser o objetivo de qualquer estudante, mas, sabendo que na prática às vezes não funciona assim, entro com um argumento econômico: “as pessoas reagem a incentivos”, mesmo que feitos por elas mesmas. Essa meta dá mais ânimo para se empenhar no presente, dá uma “guide line” para ajudar em decisões importantes. Não é apenas uma resposta pronta para entrevistas.

Afinal, não sei onde realmente vou estar, mas posso pensar no que devo fazer para tentar estar onde eu quero. E só posso fazer isso se souber onde quero estar.

Renata Gukovas

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s