O IME, Senhores

Suas férias acabarão no início de janeiro. Você correrá pela orla de Botafogo cantando sobre a Amazônia. Fará flexões, abdominais, subirá escadas correndo. Você vai aprender a comer no rancho. Assistirá palestras sobre liderança, ética, regulamento e farda de gala. E você vai gostar. Por quê? “Porque o IME, senhores, é o melhor lugar do mundo.”

Ainda posso ouvir o meu comandante de pelotão do primeiro ano nos dizendo isso. Ele estava certo. Durante todo esse esforço da adaptação, éramos chamados de ‘candidatos’ e ouvi-lo nos chamar, pela primeira vez, de ‘alunos’ foi incrível! Hoje, no 4º ano, vejo novos alunos receberem suas platinas. Vejo seus pais orgulhosos e eles próprios ainda mais.

Olho em volta, no meu próprio pelotão, e percebo o quanto mudamos. O quanto amadurecemos. Éramos infantis e inexperientes, falávamos baixo e não sabíamos nos impor. Agora temos o peito estufado e a postura ereta. Até os mais tímidos sabem comandar. Passamos ordens aos mais modernos e conseguimos conversar com mais antigos com respeito, porém sem temor. Na parte acadêmica, então… Sobrevivemos aos quatro cálculos, a professores de fama assustadora, escolhemos nossa engenharia e alguns de nós já até terminaram o estágio!

Sinto-me feliz por estar aqui. Aqui, em forma, sob o sol do verão carioca, com brilhantes platinas douradas de quatro traços – um para cada ano conquistado. Penso em quantas oportunidades nos foram apresentadas, em quantas portas foram abertas (como as da Fundação Estudar, inclusive), em quanto conhecimento adquiri, em quantos amigos tive o prazer de conhecer. Sim, o IME, senhores, é o melhor lugar do mundo.

Carolina Reis

Diferentes subdesenvolvidos: a mentalidade dos BRICs – Brasil e China

Considerada tão subdesenvolvida quanto o Brasil, a China mantém um crescimento econômico assustador e já mostra claramente ser o maior dos tigres asiáticos. Há o argumento de que 1 bilhão de pessoas faz a diferença. No entanto, devemos lembrar que há diversas pequenas nações européias que anteriormente à crise eram potências em desenvolvimento. Mas então qual é o segredo Chinês?

Em primeio lugar, a China valoriza acima de tudo a educação. Há um comprometimento com a formação de pessoas capacitadas técnica, moral e eticamente. O professor é considerado um cargo de status – históricamente, o conselheiro máximo do Imperador. Além disso, as famílias chinesas investem boa parte de sua renda nos estudos dos filhos, colocando a educação como prioridade. A cultura tem sua influência – os chineses estão ligados ao coletivismo, ou seja, a população abre mão de sua individualidade para o benefício de todos. Apesar de parecer estranho, alguns chineses já relataram que aceitam a ditadura porque os governantes podem ‘’fazer acontecer’’. Devido ao governo centralizado, o sistema de tomada de decisão é mais eficiente uma vez que não depende da vontade de dezenas de partidos. Além disso, os governantes pensam de maneira estratégica, valorizando o longo prazo sem se preocupar com a oposição.

Lima Barreto disse a triste realidade: não temos povo, temos público. O Brasil, por sua vez, apresenta resultados pífios em educação. O professor é desvalorizado moral e economicamente e as famílias estão mais preocupadas com o novo carro do que com futuro dos filhos. Em sua admiração e supervalorização do que é feito no exterior, o brasileiro esquece de fazer um benchmarking positivo, sendo conformista em acreditar que é inferior às outras nações. Por outro lado, o país sente-se confiante em ser o melhor da América do Sul, o que é na verdade, muito pouco para nossa real capacidade (ser melhor que a Bolívia e Venezuela, por exemplo, não e muito difícil…).

Se nosso país quer ser grandioso de verdade, devemos esquecer essa cultura de ‘’abaixar a barra’’ e ‘’nivelar por baixo’’ para inserir uma cultura de eficiência, pensamento de longo prazo e valorização da educação formal e moral. A estratégia deve fazer parte da vida dos brasileiros e todos precisam, acima de tudo, deixar de apenas ‘’acreditar’’ em um país melhor para ‘’fazer’’ um Brasil maior e definitivamente contrariar Lima Barreto.

Recomentação de leitura: http://www.scielo.br/pdf/ha/v13n28/a07v1328.pdf

Victor Paolillo

O MBA para os americanos

Pessoal,

Antes de tudo, é um prazer participar do blog Mundo Universitário da Fundação Estudar. Espero compartilhar um pouco da minha maravilhosa experiência no MBA na Universidade de Chicago e quem sabe estimular o pessoal mais jovem a procurar oportunidades como essa.

Gostaria de falar das minhas primeiras impressões aqui na escola. Agora mesmo está acabando o período mais intenso do MBA para a grande maioria dos alunos. Não, não é o período de provas ou algum projeto mais difícil. É o recrutamento!

Enquanto os alunos internacionais (não-americanos) vêem esses dois anos como uma experiência que vai além dos estudos (aperfeiçoar o inglês, conhecer pessoas e culturas), os americanos normalmente vêem o MBA como um investimento na carreira, esperando como retorno um emprego mais bem remunerado do que o que possuía antes do curso.

A busca por esse retorno é intensa e começa cedo. Desde as primeiras semanas de aula, as empresas realizam palestras na faculdade. Se você quiser ser considerado para alguma delas, tem que ir a todos os eventos e causar uma boa impressão, ou seja, você tem que se esforçar para falar com o pessoal da empresa e chamar a atenção de alguma forma (a faculdade fornece treinamento para isso!).

Então, você tem que preparar o currículo e cartas de apresentação, tudo dentro um padrão pré-definido. As empresas olham os currículos num banco de dados da escola. Também há profissionais que ajudam você a deixar todo o material no formato que as companhias normalmente querem.

Depois vem o período de entrevistas, no qual a grande maioria também se prepara com afinco. Aqui a escola também ajuda, fornecendo pessoas para simular entrevistas especificamente para cada tipo de empresa que recruta na faculdade (consultorias, bancos, empresas como Apple, Microsoft, etc). Conheci pessoas que fizeram mais de 40 simulações!

Só um detalhe: esse processo todo acontece paralelamente às aulas e dura meses.

No geral, tem sido bem interessante entender mais sobre a cultura americana e como eles valorizam a preparação e a competitividade nesse caso. Claro que o esforço é grande, mas tudo isso é necessário quando se está fazendo um investimento alto (em torno de 200 mil dólares) em algo tão importante quanto a própria carreira. A ajuda que a própria escola fornece reforça ainda mais essa importância.

Clareza sobre o que você quer fazer pós-MBA é muito importante nesse processo todo e recomendo aos brasileiros que algum dia queiram cursar o MBA nos EUA a pensar com antecedência em como vão enfrentar esse desafio.

Grande abraço,

Vitor Alves

O que você estuda? O conceito de majors e minors

 Olá, leitores do Mundo Universitário! Meu nome é Nikolas Francisco Iubel, eu estudo na Universidade Stanford, na Califórnia, e nas próximas semanas vou dividir com vocês aqui no blog um pouco da minha experiência como estudante de uma das melhores universidades do mundo. Pra começar, vamos falar sobre o que exatamente eu estou estudando aqui em Stanford. Bom, eu estou fazendo um major em Ciências Matemáticas e Computacionais e um minor em Línguas Modernas.

 O major é a área de conhecimento na qual o estudante concentra sua formação, e equivale ao que no Brasil chamamos de curso. Exemplos de majors são Matemática, História, Engenharia Mecânica. O meu major equivale grosso modo a aquilo que no Brasil chamamos de Matemática Aplicada, já que seu objeto de estudo é a aplicação de ferramentas matemáticas a outras áreas do conhecimento. Todos os alunos devem necessariamente escolher ao menos um major no qual se formar. É também possível escolher mais de um major (o que se costuma chamar de double major). Aqui em Stanford, essa decisão não precisa ser tomada antes de começarmos nossa carreira universitária, como acontece no Brasil. Temos dois anos para explorar nossos potenciais interesses acadêmicos (através de classes introdutórias que pareçam interessantes, por exemplo) até sermos obrigados a tomar uma decisão (que, no entanto, pode ser mudada mais tarde).

 O minor, por outro lado, é uma segunda área do conhecimento na qual o estudante pode escolher se aprofundar, como forma de complementar sua formação universitária. Esse aprofundamento não é tão intenso quanto o proporcionado por um major, já que se requerem menos aulas para completar um minor, mas garante ao estudante um conhecimento básico em nível universitário da área em que o minor foi feito. Todas as aulas requeridas para um minor são requeridas para um major, mas um major requer ainda mais aprofundamento na área de conhecimento escolhida. Esse sistema permite maior flexibilidade ao estudante. No meu caso, por exemplo, ao mesmo tempo em que me formo na área tecnológica, posso aprender línguas estrangeiras como parte da minha formação universitária.

Até a próxima,

Nikolas Francisco Iubel

O começo

Olá pessoal, tudo bem? Primeiro gostaria de dizer que estou muito feliz por ter sido convidada a participar deste blog. Acredito que será uma experiência muito interessante, e nova para mim. Confesso que escrever nunca foi meu forte, mas será um bom desafio.

Sou Renata Gukovas e estou começando o Mestrado em Teoria Econômica no IPE-USP (Instituto de Pesquisa Econômicas da USP). Pelo que ouço dos meus veteranos, e mesmo de professores, esse será um dos semestres mais puxados da vida de estudante. Até agora, o curso não faltou em cumprir essa expectativa. O “curso de verão”, um nivelamento em matemática e estatística, é o que dá as boas vindas aos alunos da pós logo no dia 3 de janeiro. Em março começam as aulas das outras 3 disciplinas obrigatórias.

O objetivo deste blog é compartilhar experiências universitárias. Não sabia por onde começar, e geralmente quando isso acontece, uma boa idéia é pensar no começo. Optei por economia depois de participar de uma simulação da ONU no 2º colegial. Foi um projeto feito pela internet com alunos de vários países. Nos dividiram em grupos, e o meu ficou com o tema AIDS. Durante as pesquisas encontrei um artigo de um economista que avaliava o impacto do programa brasileiro de combate a AIDS. Duas coisas me chamaram muito a atenção. Gostei muito da abordagem que o autor dava ao assunto, comparando projeções, o que me levou a considerar economia como carreira. Mas principalmente gostei de ver que o Brasil era um exemplo para o mundo em algum aspecto. Temos a mania de inferiorizar nosso país! Enfim, como todo vestibulando ainda estava em dúvida. Apenas me decidi visitando as faculdades.

Durante a faculdade, fiz tudo que tinha direito. Participei da atlética, fiz pequenos cursos, estagiei com um professor e depois no Itaú, fiz intercâmbio e no último ano percebi que não me sentia ainda uma economista. Foi isso que me trouxe ao mestrado. Nos próximos meses vou compartilhar minhas experiências nesse processo.

Abraço,

Renata

A Fundação Estudar

 Dar as mesmas oportunidades a todos é papel de governos e sociedades, não de uma única fundação. Desde aí se vê a legítima proposição de valor da Fundação Estudar em investir seus recursos naqueles considerados mais competentes, de qualquer origem social, cor ou religião. Na busca por agregar valor à sociedade, organizações não-governamentais têm geralmente três práticas principais: a primeira é duplicar serviços públicos para cobrir ausências estatais; a segunda é realizar advocacia pública por causas; e a terceira é inovar para transformar o sistema. Tudo isso pode ocorrer dentro da mesma organização, mas acredito que ONGs e fundações deveriam almejar causar o máximo impacto com seus recursos escassos.

A FE assim o faz: trabalha para inovar o sistema de educação de alta performance suprindo falhas no processo seletivo de bolsas estatais (que têm foco puramente acadêmico,em muitos casos só para doutorado) e fomenta o desenvolvimento de um grupo de indivíduos alinhados com os valores de seus fundadores, que por sinal revolucionaram o setor privado no Brasil. Por meio da independência econômica, os fundadores e membros iniciais da FE puderam construir uma plataforma sólida para um movimento que se torna cada vez mais forte e que se baseia na honestidade, meritocracia e competitividade. Valores essenciais para o avanço do nosso país.

Cresci regando flores no deserto do clientelismo brasileiro e sempre desenhei na imaginação uma organização que pudesse dar oportunidades aos indivíduos mais talentosos, trabalhadores e honestos para que liderassem uma transformação  no Brasil. Pensava como poderiam liderar um processo para tornar nossas escolas melhores que as da Finlândia, nossa saúde pública melhor que a sueca e nossa competitividade mais afiada que a de Cingapura. Sonhei com uma escola modelo que agregasse os melhores visando prepará-los para transformar o país a partir de posições estratégicas.

Daí, conheci a Fundação Estudar e fiquei feliz ao ver que outros haviam tido visão semelhante, mas que utilizava um mecanismo diferente, a concessão de crédito, sem juros (e apenas com o compromisso moral de pagamento) a essas pessoas para que adquirissem a formação necessária e pudessem trabalhar para transformar o Brasil. Como a banco JP Morgan fez na segunda metade do século XIX, financiando inovações tecnológicas que constituíram parte importante das bases para que os EUA se tornassem a potência do século XX, a FE faz o mesmo: investindo em algo até mais valioso, a educação dos indivíduos capazes de inovar. 

Fruto da sagacidade de três empresários visionários, a Estudar se tornou um centro de audácia, talento e vontade e agora tem como desafio expandir sua visão. Para isso precisamos de mais e mais concorrentes às nossas bolsas. Precisamos de você que tem um sonho e uma capacidade maiores que seu bolso, vontade de sobra e coragem de trabalhar por aquilo que acredita. Precisamos que os membros da Estudar continuem sua admirável busca por melhorar nossa sociedade com ainda mais força a partir de posições públicas, privadas e não-governamentais. Precisamos por fim agir sempre com confiança, amor e propósito, seja para conseguir a bolsa ou vencer as adversidades de nossas labutas.

Em 2011, desejo mais força e vontade a todos nós para que em frente aos maiores desafios possamos sempre soltar o melhor do nosso jogo. Fiquem com Deus e boa sorte!     

Pedro Henrique

Insper

Oi gente, tudo bem?

Pediram-me que eu falasse mais sobre o Insper (ex Ibmec SP), então vou contar algumas coisas para vocês.

Não sei se todo mundo sabe, mas o Insper é uma faculdade muito puxada. A explicação para você não poder trabalhar até o último ano é porque eles realmente querem desenvolver uma base técnica nos alunos muito forte. A carga horária é alta, mas a recompensa é grande.

Dentro da faculdade, você tem diversas oportunidades. Por exemplo, você pode se envolver em alguma entidade acadêmica (D.A., Atlética, Grupo de Ação Social, AIESEC, Empresa Jr., International Student Office,…), fazer uma iniciação científica, ser assistente de um professor, ser monitor de alguma matéria com a qual você se identifica, entre outras.

A partir do 4º semestre, é possível também você se candidatar para fazer um intercâmbio acadêmico, tem várias opções (EUA, França, Bélgica, Inglaterra, Suiça, Itália, Espanha, Israel…). O critério para ser escolhido são notas e proficiência na língua do curso fora. Ano que vem estou indo para uma Universidade muito bacana em Paris (Université Paris-Dauphine). A faculdade incentiva muito o intercâmbio e a diretoria da faculdade que cuida disso te dá todo o apoio enquanto você tem que fazer o preparo.

Agora, também, o Insper está em processo de mudança (óbvio que sem perder a essência). Primeiro porque algumas matérias foram tiradas da grade para outras entrarem, segundo porque a faculdade também está fazendo uma mega expansão. Vai ficar muito legal porque algo que estava faltando para lá era mais espaço de convivência para os alunos.

Bom, mais pra frente eu conto mais detalhes do meu intercambio (estou indo já dia 7 de janeiro para ficar 6 meses). Qualquer dúvida também sobre a faculdade, perguntem.

Até breve,

Patrícia